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Consórcios

Publicado em 21/03/2021 13h14 - Atualizado há 4 semanas - de leitura

Cheguei a ver com simpatia a carreata que pedia a reabertura dos serviços não essenciais em Santa Rosa. Afinal, do movimento poderia surgir uma, ou várias, soluções negociadas para esta difícil situação.

Mas, de pronto, vi que a carreata foi capitaneada por um caminhão com os dizeres “Deus, Família e Trabalho”, reproduzidos em alguns dos automóveis que a acompanhavam. É um lema que lembra outros bem conhecidos. O lema dos integralistas, movimento de extrema-direita que em 1932 tentou implantar as ideias fascistas no Brasil, era “Deus, Pátria e Família”, também usado por Bolsonaro na última campanha eleitoral. Já o partido nazista, de Adolf Hitler, tinha como lema “Pelo líder, povo e pela pátria”. Nos portais dos campos de concentração os nazistas colocavam a famosa frase: “O trabalho liberta”.

Por todo esse passado histórico, nenhum deles merece qualquer respeito. A reivindicação, pois, ficou manchada pela manipulação partidária da extrema-direita, o que parece óbvio... É uma pena.

***

É de pensar, mas a coisa parece surrealismo. Um ano atrás os veículos de imprensa do país formaram um consórcio, articulando e compartilhando informações sobre infecções e mortes da Covid. Isso porque as informações do governo federal, leia-se Ministério da Saúde, não eram confiáveis.

Quase um ano depois, os governos estaduais formam um consórcio para comprar, compartilhar e distribuir vacinas. Isso porque o governo federal, sem articulação, há um ano vem boicotando a vacinação. Em julho o Ministério ignorou uma oferta de 160 milhões de vacinas da Coronavac (conforme informou o jornal Infomoney).

É inacreditável que a sociedade civil tenha que se organizar, aos trancos e barrancos, para fazer aquilo que é um dever de qualquer governo sensato. 

***

O grande erro do Brasil (erro nosso, digamos) foi, desde o início da pandemia, tentar transformar uma peste mundial em questão ideológica local. Passado um ano, ainda vejo pessoas querendo culpar este ou aquele, na base do “nós contra eles”. Como se essa atitude infantil fosse intimidar o vírus.

Negar o vírus foi uma estratégia que cativou muita gente e serviu de conforto para alguns. A psicologia diz que esta é uma reação provocada pelo medo. O medo daquilo que não conhecemos e que nos ameaça, a estratégia da avestruz.

Pois, passado um ano e uma montanha de mortos e de famílias enlutadas, ideologizar esta questão é uma atitude que não resolve nada e, pelo contrário, faz a pandemia se estender além do suportável. Continuaremos chorando nossos mortos...

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Mudando de assunto. Algum tempo atrás manifestei aqui minha inconformidade com o fim da Secretaria Municipal de Cultura. Teria sido um arranjo administrativo correto? Só o futuro dirá. Pois esta semana a Denise Bonin foi nomeada diretora da Secretaria de Educação e será a encarregada dos assuntos ligados à pasta extinta.

Não há dúvida de que a Denise terá um enorme trabalho pela frente. Trabalho complexo, diga-se. Boa vontade e competência ela tem de sobra. Tudo indica que terá um proveitoso diálogo com o setor cultural que, em Santa Rosa, é muito dinâmico. Estamos na torcida.

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