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Misturas

Publicado em 26/02/2021 17h20 - Atualizado há 2 meses - de leitura

Os números impressionam. Entre 1875 e 1900 aconteceu a grande leva de imigração de europeus ao Brasil. Algo em torno de 1 milhão de pessoas chegou aos portos brasileiros. A grande massa, entre toda essa gente, eram os italianos. Isso mesmo, os cálculos apontam a chegada de 577 mil italianos. Em São Paulo, no início do século passado, falava-se mais o italiano do que o português.

Estou dizendo tudo isto porque no último domingo comemorou-se o Dia Nacional do Imigrante Italiano, mas não houve festa por razões óbvias. E vale registrar que vivemos numa região de imigração onde, boa parte dos italianos se concentrou onde hoje estão as áreas de Tuparendi, Tucunduva e Porto Mauá.

Evidentemente, os italianos marcaram a nossa cultura em diversos aspectos, como a agricultura, a arquitetura e a linguagem. Quando falamos em pizza, cappuccino, mortadela e macarrão, por exemplo, associamos imediatamente com os italianos e seus descendentes. A lista completa de palavras que se incorporaram ao português é enorme. 

Você sabia que a palavra “carnaval” também tem origem italiana? Pois é. Pouca gente sabe disso. Ela vem do latim, incorporou-se à língua italiana moderna e acabou designando a maior festa popular do Brasil. Aliás, o Carnaval da cidade de Veneza é um dos mais célebres do mundo e acontece há séculos.

Mas o vocábulo mais interessante — entre tantos que herdamos dos imigrantes italianos — é o “tchau”. Ele é quase uma expressão linguística. Para nós, significa um “até logo”, “adeus”, ou seja, uma despedida. Para os italianos, porém, tem significado mais amplo. É uma saudação afetuosa entre pessoas conhecidas, não importa se estão se despedindo ou se estão se encontrando. Quando a conversa envolve um descendente de italiano, o “ciao” é obrigatório, seja na chegada, seja na despedida.

Finalmente, vou confessar que uso essas palavras com muita satisfação. Mas a satisfação de fato acontece — e agradeço isso à cultura italiana —, é quando eu enfrento uma macarronada.... Dio santo!

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Eu tenho cara de alemão. Sou descendente de germânicos. Mas não sou completamente alemão. Dá pra entender? Mais ou menos...

Os estudos que vêm sendo desenvolvidos há anos, no projeto chamado “DNA do Brasil”, estão revelando informações interessantes. A coisa é complexa. E como os objetivos são muitos, conhecer o DNA terá implicações no futuro que nem os cientistas conseguem delimitar. Uma delas, sem dúvida, será a prevenção do câncer.

E o que o estudo tem revelado? Que nós, brasileiros, somos resultado de um longo período de colonização e temos no nosso DNA partes de europeus, africanos e indígenas. No passado, os homens europeus tiveram filhos com as mulheres indígenas e africanas, num já conhecido processo de violência sexual. Tudo isto está em nós. Estas origens estão gravadas no nosso genoma. Eu, por exemplo, sou majoritariamente europeu (caucasiano ou coisa parecida) mas trago marcas indeléveis do negro e do indígena. Com orgulho, diga-se de passagem.

 Embora o tema seja fascinante e complexo, temos que tirar uma lição disso tudo. Se temos genes de várias raças, ser racista é uma grande bobagem...

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Na semana passada falei do esforço dos músicos locais, e a notícia desta semana também é muito boa. Acaba de ser lançado o CD “Talentos Daqui”, reunindo, como os próprios músicos afirmam, “músicas autorais com pratas da casa de Santa Rosa”. O lançamento acontece graças aos incentivos da Lei Aldir Blanc. O CD reúne 15 músicos locais. Estou doido para ouvir...

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