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O corpo doente

Publicado em 27/06/2020 10h47 - Atualizado há 3 meses - de leitura

Confesso que gosto da visão holística do planeta. Muitos especialistas dizem que o planeta é um ser vivo, complexo e integrado. Assim como o nosso corpo. Um sistema, enfim, composto por partes que dependem umas das outras. Para continuar vivo, há que se ter harmonia entre as partes. Veja que apenas uma célula do nosso corpo, quando entra em colapso, pode nos levar à morte. Um órgão (fígado, por exemplo) destruído, acaba com o ser vivo que somos.

Pois o coronavírus tem sido visto desta maneira em relação ao nosso planeta. Uma epidemia (ou alguma doença) indica que o “corpo” está doente, está abalado.

Dias atrás um cientista afirmou que é provável que o coronavírus tenha vindo de uma espécie de morcego. O morcego, porém, não tem problema nenhum com o vírus. Ocorre que a mencionada espécie de morcego se alimenta de frutos no topo de árvores muito altas. Com a derrubada destas árvores, os morcegos passaram a buscar alimento em locais mais próximos do chão e, também, em residências de seres humanos. A transmissão pode ter ocorrido diretamente do morcego ou de algum animal intermediário, como animais selvagens comercializados ilegalmente. Ou mesmo através de uma fruta mordida pelo morcego e comprada num supermercado. Em outras palavras, ocorreu um desequilíbrio que levou a uma interação entre seres vivos que não deveria ter acontecido.

A ONU já tornou público que a frequência de doenças transmitidas por animais está aumentando (calma, o seu pet está fora desta estatística). O desequilíbrio climático provoca modificações no comportamento dos homens, e também dos animais. Num ambiente equilibrado existe a seleção natural, os predadores mantém a população de pragas estável. Ou seja, a biodiversidade é sinal de saúde.

Mas quando desequilibramos o meio ambiente, as consequências são imprevisíveis. Incêndios, inundações, derramamentos de petróleo e outras tragédias têm consequências que sequer calculamos. A disseminação de doenças num ambiente desequilibrado é muito rápida e fácil. Como acontece com o nosso próprio corpo.

***

Parece mesmo que aquela conversa sobre o meio ambiente (que algumas pessoas acham simplesmente chata) agora está ressurgindo com força. Não, não estou com uma visão romântica, por exemplo, da Amazônia ou de outros ecossistemas brasileiros (que merecem preservação, é claro). A Amazônia pode ser a “mina de ouro”, a grande riqueza do Brasil ao longo deste século. Mas precisamos usá-la com inteligência, de forma sustentável.

Já em 2016 a ONU alertava que a disseminação de pandemias estava relacionada à saúde dos ecossistemas. Um ecossistema é algo harmônico e preserva-se justamente pela biodiversidade. O nosso corpo também é assim. Uma floresta derrubada elimina milhões de formas de vida e as substitui, por exemplo, por uma plantação de soja ou um enorme rebanho de bois. Está criado o fértil terreno para doenças que chegam até nós, os humanos.

É infantil imaginar que a imensidão amazônica deve servir apenas à monocultura. Ao contrário, existem hoje centenas de alimentos produzidos por lá, de forma sustentável, até mesmo exploração de madeira. E se falarmos de turismo, é inimaginável o que o Brasil perde por não saber usá-lo de forma inteligente naquela região. A exploração predatória é, antes de mais nada, burra.

Resumindo a conversa, ou nós cuidamos dos nossos ecossistemas ou devemos nos preparar para repetitivas pandemias no futuro próximo. Parece que não temos escolha...

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