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Palavras, palavras

Publicado em 16/10/2020 09h17 - Atualizado há 3 meses - de leitura

Se você acha que o Brasil está dividido por causa da política, não perca o autocontrole. Sempre veremos alguém acreditando em soluções mágicas e/ou pedindo a Deus votos nas eleições (Deus já não sabe onde se esconder!). Mas nosso papo de hoje é sobre questões envolvendo a linguagem, e que estão criando situações delicadas país afora, coisa muito séria!

Precisamos definitivamente decidir se é bergamota, tangerina ou mexerica. E se for mesmo bergamota, se ela começa com “v” ou com “b”. Isso ainda vai causar uma guerra civil entre paulistas e gaúchos! E olha que desde 1930 eles se olham um tanto desconfiados...
E a nossa mandioca, que em outros lugares perde esse nome tão sonoro e é conhecida como aipim ou macaxeira? Acho que é um desprestígio para a nossa mandioca, e, como sabemos, mandioca gaúcha não perde seu prestígio nunca!

O gaúcho, porém, vem perdendo reputação por causa do “cacetinho”, que tem origem no português de Portugal. Cacetinho é uma palavra que dá margem a associações pouco elogiosas para nós. Imagine você, gaúcho muito macho, chegar numa padaria em São José do Rio Preto e perguntar: “O senhor tem cacetinho?” No mínimo o cara vai responder: “Tá me estranhando, cara?”. Neste caso, em particular, sugiro que adotemos de vez o “pão francês” e não se fala mais nisso!

Mas com relação à abóbora eu não arredo o pé. Chamar a abóbora de “jerimum” é depreciar um alimento tão simpático que é cultivado em todo o país, delícia também como sobremesa. Outra grande questão nacional urgente é decidir se é “biscoito” e da “bolacha” e ainda “torrada” e do “misto-quente”. Não dá pra viver com essas indefinições!

Veja, por fim, a confusão nacional que causam as palavras “sinaleira”, “semáforo”, “sinal” e “farol”, todas com o mesmo significado. Em algumas regiões brasileiras falam em “farol” e você se põe a perguntar em que direção está o mar. Assim não dá...

***

Claro que a brincadeira corre por conta da linguagem popular, que adota de forma espontânea certas expressões e palavras e, com o tempo, ninguém mais questiona sua origem. Incorporam-se de forma dinâmica à nossa linguagem, enriquecendo-a. Veja um caso muito usado por aqui. Ainda esta semana alguém me dizia que, por conta de um negócio mal feito, seu tio estava “chorando as pitangas”. Como assim, “chorar as pitangas”? O sentido lembra alguém chorando até ficar com os olhos vermelhos, lembrando a saborosa pitanga. É o mesmo que queixar-se, lamuriar-se e lastimar-se. Como vivemos numa região onde a pitangueira é árvore nativa, com certeza a expressão “chorar as pitangas” é muito mais usada aqui do que em qualquer outra região brasileira. Talvez até seja uma exclusividade nossa. Mas é uma expressão quase poética...

***

A situação é diferente quando lembramos de Portugal. Se no Brasil as palavras sofreram muitas mutações, lá existe uma língua portuguesa mais rígida e com palavras antigas, o que causa situações hilárias. Afinal, eles falaram o português muito antes de nós.

O que nós chamamos de criança, lá é “miúdo”. Uma faixa de pedestre vira “passadeira”, o café da manhã é chamado de “pequeno almoço”. “Durex”, que para nós é uma fita adesiva, para eles é a camisinha, enquanto uma fila de pessoas é chamada de “bicha” (aliás, este uso ainda persiste em alguns lugares no Brasil). O celular é “telemóvel” e a calcinha (roupa íntima feminina) por lá chama-se “cueca” (bem estranho, não é?). As masculinas são conhecidas por “boxers”. Pode dar confusão em casa, imagino...

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