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Saudades de Oberá

Publicado em 04/10/2020 19h40 - Atualizado há 3 meses - de leitura

O fechamento da fronteira com a Argentina para o turismo foi uma das situações inesperadas (e desagradáveis) geradas pela pandemia do coronavírus. Aqui na cidade ouço com frequência pessoas que não escondem as saudades de Oberá, de Posadas e de Encarnación (esta lá no Paraguai).

Sempre achei que isto é um privilégio nosso. Duas fronteiras tão próximas é coisa rara. E nós gostamos disso. Por isso, dizer que estamos com saudade de Oberá não é descabido; ao contrário, é reflexo sentimental do que está acontecendo. Seja para fazer compras ou mesmo jogar fora alguns trocados no cassino, visitar Oberá (e mesmo seguir adiante) é sempre uma pequena aventura fronteiriça. E lembro a velha frase: “Viajar não te torna mais sábio ou mais inteligente, mas certamente te torna menos racista e menos xenófobo”.

Lembro aos distraídos que xenofobia é aversão a estrangeiros ou à cultura estrangeira. Viajar, portanto, não melhora ninguém. Mas o viajante sempre terá uma compreensão mais clara sobre raças, costumes e culturas. Ele percebe que o mundo é colorido, diversificado, e que isso é bom.

Pois estou prevendo um incontido fluxo de viajantes para os países vizinhos tão logo a pandemia seja superada. Começando, é claro, por Oberá. Sob certa ótica, isso é bom. Conhecer a América Latina é indispensável para saber quem somos e como funciona o mundo em que vivemos. Ademais, com o dólar nas alturas, viajar para locais distantes do mundo se tornou proibitivo para os brasileiros.

Lembro ainda que a Festa Nacional do Imigrante, que acontece anualmente em setembro, também foi suspensa este ano. É um evento que sempre atraiu santa-rosenses. Mas voltará no próximo ano, com certeza. É o que todos esperam, especialmente aqueles que não se aguentam de saudades de Oberá.

***

As pessoas se perguntam: “Se a inflação voltou, por que ela não aparece nos índices inflacionários?”. Estaria havendo manipulação? Pois bem, antes de botar a culpa em alguém, é preciso entender algumas coisas. Para verificarmos a variação dos preços no mercado, temos o IGP, o IPC-A e o IGPM, índices que resultam de cálculos diferentes. Sem entrar em maiores detalhes, eles utilizam grupos de indicadores e produtos diferentes. Para este ano, o IPC-A tem projeção de 2%, enquanto o IGPM está projetado para 13%. Percebe a diferença?

A alimentação é o que vem pesando mais. Outros fatores, como transportes e vestuários, tiveram índices negativos de preços. Por isso é que, em tese, o índice de inflação não é alto. Mas quando vamos ao supermercado, ficamos de olhos arregalados vendo a conta crescer na registradora do caixa, e até perguntamos à gentil funcionária: “Tu tens certeza de que a conta deu tudo isso?”.

Para as pessoas mais pobres (cuja base de consumo são os alimentos da cesta básica) a inflação deste ano está terrível. Itens como arroz, feijão e carne tiveram índices muito superiores a qualquer outro. Por outro lado, para pessoas de maior poder aquisitivo, que consomem serviços, por exemplo, a inflação geral é menor. Por isso é que existe esta estranheza com os índices oficiais.

Este quadro tem várias causas, e podemos mencionar a taxa de juros e a taxa de câmbio (dólar) como fontes imediatas, e também a crise de desabastecimento como fonte mediata (estoques reguladores inexistentes geraram a crise do arroz). Ou seja, não existe uma causa única para a volta da inflação.

Mas o fato é que ela está de volta e todo o cuidado é pouco. Inflação corrói salários e rendas, e isso não é nada bom.

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