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Teorias de verão

Publicado em 13/01/2021 09h59 - Atualizado há 3 meses - de leitura

O verão em Santa Rosa não é brincadeira. Pergunte aos santa-rosenses que vivem em outras regiões. Eles chegam à cidade nesta época do ano para visitar os parentes e vão logo advertindo: “A visita é breve; o calor está demais”. A vantagem é que por aqui a cerveja é sempre bem gelada, é o que me garantiram. Mesmo assim, abreviam a visita e vão embora quase pedindo desculpas.

 Aliás, consta que o costume da cerveja bem gelada é coisa de brasileiro. Na Europa, ela é servida levemente resfriada. Por aqui, estupidamente gelada. Deve ser uma compensação íntima, uma tentativa de reequilíbrio no termostato do nosso corpo (é uma teoria, pois).

 Há quem busque explicações para essas temperaturas. Eu tenho uma teoria a respeito. Aliás, também tenho outras teorias, como aquela sobre a morte das abelhas, o desaparecimento dos vaga-lumes e dos torcedores colorados, mas vou deixar esses assuntos para outra oportunidade. Esse calor só permite um pensamento por vez.

 Santa Rosa está, em linha reta, a menos de 140 km da parte leste do lago formado pela barragem de Yaciretá, no rio Paraná, entre Argentina e Paraguai (do lago de Itaipu, também em linha reta, estamos a cerca de 250 km). Yaciretá foi inaugurada há menos de uma década, formando um lago imenso. E tal como aconteceu em Itaipu, é um gigantesco lençol d’água que gera intensa evaporação e umidade. Resultado: muito calor, um calor úmido, desses que sufoca e que conhecemos tão bem. Ou seja, aqui na região se o calor não vem do leste, vem do norte-noroeste. Não dá para escapar...

 Já expressei esta teoria a diversas pessoas. Até agora ninguém me desmentiu. Ah, tem o aquecimento global, é claro. Mas não desse jeito. Por aqui, precisamos aprender a conviver com esse calor. E manter a cerveja bem gelada...

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 Até mesmo as leituras nesta época se tornam mais leves. No máximo, uma bula de remédio ou a embalagem dos biscoitos. Você só pode se atrever a ler um Dostoiévski se estiver no ar condicionado ou à beira de um córrego d’água, e na sombra. De resto, até a concentração fica rarefeita. O Djavan, por exemplo, jamais encontraria por aqui um bom lugar pra ler um livro (essa foi pra quem gosta de música brasileira).

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 Num calor desses, dizia meu sobrinho, nem assassino tem sangue frio. Afetados pelo sol, que dispara a produção de serotonina e melatonina, até os bandidos ficam mais sociáveis e bondosos. É a temperatura do sangue, dizem. Se um inverno rigoroso gera um transtorno afetivo que produz depressão, o calor do verão tem o efeito contrário. Ficar mais irritado no verão não significa que estejamos mais perversos, e sim com bom humor elevado.

 Eis aí mais uma teoria a ser discutida com muita calma. Não conheço nenhuma estatística que diga que os bandidos ficam mais calmos no verão. Mas a teoria do meu sobrinho merece ser analisada. Acho que vou esquecer o desaparecimento dos colorados...

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 E o cara, saudoso das amizades antigas e após longo afastamento, descobre o telefone do amigo de infância (coisas da internet, pois). E liga pra ele:

 “Como estás, meu caríssimo?”

 “Olha, neste momento estou lidando com areia, debaixo do sol”.

“Que maravilha! Gostaria de estar aí contigo!”

“Pois então, venha! Estou trabalhando como pedreiro e estamos na segunda laje de um prédio de dez andares!”

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