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#EstuproCulposoNãoExiste

Publicado em 05/11/2020 15h11 - Atualizado há 4 meses - de leitura
#EstuproCulposoNãoExiste / Foto: Reprodução

E sentenciada ao abandono após ter sofrido uma violência de tamanha proporção. Os agressores se uniram e assistimos abismados legitimarem o abuso sexual como algo possível de ser tolerado. Os agressores não estão sozinhos no mundo masculino quando se trata de violência desta natureza. Mulheres insinuam que pode sim ter sido culpa da moça.

Por algum item de sua vestimenta, por sua feminilidade, um comportamento, o lugar onde estava... Como se algo pudesse justificar ser atacada por alguém que não consegue conter seus impulsos primitivos, ou porque se excita com o ato perverso: praticar ato sexual com um corpo sem reação, inerte. Premeditou então? Afinal, se estava de posse de um medicamento para usar na vítima escolhida? Estava sob efeito de álcool? Este não deveria ser um agravante? Existe algum argumento válido que justifique tal ato? O que faz um estuprador encontrar tanto apoio para justificar seu ato? Aí dirão os entendidos do direito: segundo a nossa constituição o réu tem direito a defesa. Certo. Mas, segundo nossa constituição, a violência contra a mulher é todo ato que resulta em morte, lesão física, sexual ou psicológica de mulheres, tanto na esfera pública quanto na privada. Então, a moça, numa tentativa talvez de encontrar algum suporte, em algum lugar, depois de reunir toda a força que ainda lhe resta, faz a denúncia e espera encontrar na lei apoio para seu sofrimento. Talvez encontrar algum suporte para se reestruturar emocionalmente.

Mas acontece o não esperado: ela, a vítima é declarada culpada. Frágil, indefesa, exposta novamente. A extrema violência que sofreu não é suficiente, é preciso mais...

Está sozinha! Quanta coragem teve essa moça.
Quanta força!

A vítima no caso de violência sexual é gravemente traumatizada em todos os sentidos. Precisa ter coragem para enfrentar seus medos e sofrimento numa sociedade onde muitas vezes nem nos mais próximos encontra acolhimento.
Ela foi punida por denunciar o seu sofrimento por quem deveria defendê-la. Todos se unem para intimidá-la.

Claro está que se tratou de uma escolha pessoal dele, o agressor, pelas preferências dele. Devido à natureza sensível do tema, a violência sexual ainda é a que provoca a sensação de impotência aos que assistem assustados aos inúmeros argumentos usados para justificar tal conduta. Um dos efeitos da civilização sobre o sujeito é o controle sobre os impulsos mais primitivos. Para quem não consegue se conter foram criadas as leis, como forma de punição para o comportamento considerado inadequado na sociedade. A pergunta que nos fazemos frente a essa situação é: como um sujeito que pratica um ato dessa natureza, com provas e agravantes, encontra apoio e leis para protegê-lo?

Talvez não teremos resposta possível, mas não devemos perder a capacidade de nos indignar por ainda existir violência dessa natureza no mundo das mulheres. 
Essa sentença é um ataque à feminilidade! 
A feminilidade continuará sendo punida? 
Até quando?

Texto por Tereza Guberovich

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