Quase dez anos depois da estreia, Stranger Things chega ao fim com os últimos episódios da quinta temporada e encerra um ciclo histórico para a Netflix. A produção, hoje um dos maiores fenômenos do streaming, quase foi descartada ainda na fase de pré-produção.
Antes de sair do papel, os irmãos Matt e Ross Duffer sofreram pressão para retirar as crianças da trama e transformar a história em algo mais convencional. Eles recusaram. Apostaram em um elenco jovem, diálogos realistas e uma narrativa que misturava terror, aventura e nostalgia dos anos 1980, inspirada em filmes como Os Goonies, E.T. e nas obras de Stephen King.
Quando a primeira temporada foi gravada, em 2016, o orçamento era modesto e muitos efeitos especiais eram feitos de forma prática. Ninguém imaginava que a série se tornaria global. A virada veio com a Netflix, que aceitou o projeto sem impor mudanças e permitiu liberdade criativa total.
O resultado foi imediato. O público jovem se identificou com os personagens, enquanto os adultos se conectaram com a nostalgia. O sucesso fez os custos dispararem: de cerca de 6 milhões de dólares por episódio na estreia para até 60 milhões na temporada final, colocando a série no nível de grandes blockbusters do cinema.