PEC que prevê fim da aposentadoria como punição avança e abre caminho para demissão de juízes
Texto aprovado na CCJ do Senado estabelece a perda do cargo em casos de crimes e suspensão de salário durante processo disciplinar.
Publicado em 09/04/2026 10h30 - Atualizado há 6 dias - 2 min de leitura
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (8) uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a aposentadoria compulsória como forma de punição para magistrados e integrantes do Ministério Público.
A medida abre caminho para sanções mais rigorosas, como a perda do cargo, em casos de infrações graves que configurem crime.
Pelo texto aprovado, juízes, promotores e procuradores não poderão mais ser aposentados com remuneração como punição disciplinar.
Nesses casos, passam a ser previstas medidas como demissão ou perda do cargo e outras punições equivalentes previstas em lei.
A proposta estabelece ainda prazo de até 30 dias para que seja apresentada ação solicitando a perda da função.
O parecer aprovado também inclui uma nova regra: o afastamento do cargo com suspensão da remuneração durante a tramitação da ação disciplinar.
A medida será aplicada após decisão do tribunal competente, enquanto o caso estiver em análise.
A relatora, Eliziane Gama (PSD-MA), afirmou que a proposta busca tornar as punições mais proporcionais à gravidade das infrações e reforçar a credibilidade das instituições.
Segundo ela, o modelo atual é visto como inadequado em casos de irregularidades graves.
Apesar da aprovação na CCJ, a PEC ainda precisa passar pelo plenário do Senado.
Para ser aprovada na Casa, será necessário o apoio de pelo menos 49 senadores em dois turnos de votação.
A proposta foi apresentada originalmente pelo então senador e agora ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino e tramita desde 2024.
Atualmente, a aposentadoria compulsória ainda é prevista como punição disciplinar na Lei Orgânica da Magistratura (Loman), permitindo que magistrados sejam afastados mantendo remuneração proporcional ao tempo de serviço.
Durante a tramitação, foram excluídos pontos que estendiam as regras aos militares.
A mudança ocorreu após destaque apresentado pelo senador Hamilton Mourão, que argumentou que a medida poderia afetar familiares.