A partir do dia 1º de abril, produtores rurais de todo o país deverão enfrentar um aumento nos custos de produção em razão das mudanças previstas na Reforma Tributária. As alterações estão estabelecidas nas Leis nº 214/2025 e nº 224/2025 e atingem diretamente tanto os insumos agrícolas quanto a contribuição previdenciária sobre a atividade rural.

Uma das principais mudanças é o fim da alíquota zero de PIS/Cofins sobre fertilizantes e adubos. Até então isentos desses tributos, os produtos passarão a ter incidência de uma taxa de 10%, o que deve impactar significativamente o custo das lavouras em todo o Brasil.

Segundo o coordenador do Departamento Fiscal da Cotrirosa, Vanderci Finatto, o impacto tende a ser expressivo. Ele explica que, apesar do percentual parecer baixo, o volume utilizado nas propriedades rurais é elevado, o que aumenta consideravelmente o valor final desembolsado pelos produtores. “Como se trata de um insumo essencial para a produção agrícola, qualquer aumento no imposto acaba pesando no bolso do produtor, principalmente quando aplicado em larga escala”, destaca.

Orientação é antecipar compras
Diante da mudança, a recomendação para produtores e clientes de cooperativas é antecipar a retirada de pedidos já realizados até o dia 31 de março. Dessa forma, ainda é possível garantir os insumos com os valores atuais, antes da entrada em vigor da nova tributação. A medida pode representar economia significativa, especialmente para propriedades que utilizam grandes quantidades de fertilizantes ao longo da safra.

Aumento também atinge contribuição previdenciária
Outra alteração relevante envolve a contribuição substitutiva sobre a receita bruta da atividade rural, conhecida como Funrural. Para produtores rurais pessoa física e segurados especiais, haverá um acréscimo de 0,12% na contribuição previdenciária, além de 0,01% referente ao Risco Ambiental do Trabalho (RAT).

Com isso, a alíquota passará para 1,43%. Somado ao adicional de 0,20% destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, o Senar, o total chega a 1,63% sobre a receita bruta — anteriormente, era de 1,5%.
Já para produtores rurais pessoa jurídica, o aumento será de 0,17% na contribuição previdenciária e 0,01% de RAT. A alíquota sobe para 1,98% e, com o adicional de 0,20% do Senar, atinge 2,23% sobre a receita bruta, frente aos 2,05% praticados anteriormente.

Impacto pode ser significativo ao longo do ano
Embora os reajustes pareçam pequenos em termos percentuais, especialistas alertam que o impacto acumulado pode ser relevante ao longo do ano. Isso porque a cobrança é feita sobre a receita bruta da comercialização, e não sobre o lucro, o que amplia o peso da tributação no resultado final da atividade rural.

Diante desse cenário, a orientação é que os produtores revisem seus custos, reavaliem contratos e ajustem o planejamento financeiro para evitar prejuízos. Em alguns casos, pode ser necessário reorganizar o fluxo de caixa ou até repassar parte dos custos.

Setor busca alternativas no Congresso
As mudanças têm gerado preocupação no setor agropecuário. A Frente Parlamentar da Agropecuária apresentou proposta no Congresso Nacional com o objetivo de barrar ou adiar a implementação das novas regras.
No entanto, até o momento, não houve alteração no cronograma, e as medidas seguem previstas para entrar em vigor no início de abril, exigindo adaptação imediata por parte dos produtores rurais em todo o país.