Tradição da colheita da marcela na Sexta-Feira Santa exige cuidados para preservação
Emater orienta práticas sustentáveis para evitar o desaparecimento da espécie no Rio Grande do Sul.
Publicado em 02/04/2026 14h20 - Atualizado há uma hora - 2 min de leitura
A colheita da marcela antes do nascer do sol na Sexta-Feira Santa segue como uma tradição cultural e religiosa mantida por gerações no Rio Grande do Sul. A planta, reconhecida como símbolo do Estado pela Lei nº 11.858/2002, possui ocorrência nativa e floresce apenas uma vez ao ano, geralmente no período da Páscoa.
Com o passar dos anos, a presença da espécie tem diminuído, o que acende um alerta para a necessidade de práticas de coleta mais responsáveis. Conforme orientação da assistente técnica regional da Emater/RS-Ascar, Caroline Crochemore Velloso, é fundamental evitar a retirada completa da planta e preservar parte das inflorescências, garantindo a continuidade do ciclo natural.
Entre as recomendações, também está a secagem adequada da planta e a devolução das sementes ao ambiente, contribuindo para a regeneração da espécie. O cultivo pode ser realizado entre setembro e outubro, em covas superficiais, já que as sementes necessitam de alta luminosidade para germinar.
Outro ponto de atenção destacado é o local de coleta. Áreas próximas a rodovias movimentadas devem ser evitadas, uma vez que a planta pode absorver poluentes, como o monóxido de carbono, comprometendo suas propriedades.
Apesar da crença popular de que o orvalho da manhã da Sexta-Feira Santa potencializa os efeitos da marcela não possuir comprovação científica, a planta é reconhecida por suas propriedades medicinais, com ação diurética, digestiva, antifebril, anti-inflamatória e analgésica. Além disso, também pode ser utilizada em práticas veterinárias e como inseticida natural.