Justiça

PM é condenado a 46 anos de prisão por matar e estuprar sobrinho adolescente em Porto Alegre, RS

Andrei Ronaldo Goulart Gonçalves, 12 anos, foi encontrado morto em seu quarto em 2016 com marca de disparo de arma de fogo na testa.

Publicado em 29/10/2025 00h43 - Atualizado há 5 meses - 4 min de leitura
PM é condenado a 46 anos de prisão por matar e estuprar sobrinho adolescente em Porto Alegre, RS /Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

O policial militar da reserva Jeverson Olmiro Lopes Goulart, de 60 anos, foi condenado a 46 anos de prisão por estuprar, matar e simular o suicídio do sobrinho de 12 anos. Andrei Ronaldo Goulart Gonçalves, 12 anos, foi morto em 2016, na zona sul de Porto Alegre. A sentença foi lida na tarde desta terça-feira (28), após dois dias de júri. Os trabalhos foram conduzidos pela juíza Anna Alice da Rosa Schuh, da 1ª Vara do Júri da Comarca da capital.

O réu foi condenado por homicídio duplamente qualificado, para ocultar outro delito e recurso que dificultou a defesa da vítima, e estupro de vulnerável. A pena deverá ser cumprida em regime fechado. Atualmente, Jeverson mora no Rio de Janeiro. A defesa afirmou que deve recorrer da decisão.

Andrei foi encontrado morto em seu quarto no dia 30 de novembro de 2016, com uma marca de tiro na testa. Na época, o caso foi investigado como possível suicídio e concluído pela Polícia Civil como acidente. O inquérito foi reaberto pelo Ministério Público (MP) após insistência de familiares do adolescente, especialmente a mãe, Catia Goulart, irmã de Jeverson, que desconfiava da condução do inquérito e das provas colhidas na época.

O caso foi reaberto em 2020 após denúncia do Ministério Público por homicídio e estupro de vulnerável. Segundo o MP, o homicídio foi cometido para ocultar o abuso sexual praticado contra o menino.

Em depoimento anterior, Jeverson, disse que seria morador do Rio de Janeiro e estava na casa da irmã há cerca de um mês, em visita à família. Ele alegou que estava dormindo na cama de baixo do beliche quando, por volta das 2h, acordou com o barulho de um disparo de arma de fogo e encontrou a vítima ensanguentada na cama de cima. Ele sustentou que alertou a todos os moradores sobre a presença da arma e a proibição de pegarem.

No dia da morte de Andrei, Catia saiu de casa por volta das 17h30 e o menino disse que esperaria o tio para tomar chimarrão. Às 19h45, Jeverson confirmou que havia chegado. Quando a mãe retornou, às 23h20, notou que o filho não fez as brincadeiras costumeiras. Conforme a declaração, ela foi dormir, e por volta das 2h, foi acordada pelo irmão dizendo que havia acontecido uma tragédia. Ela foi ao quarto e encontrou Andrei deitado, tapado com coberta até o peito, com as mãos juntas, e viu que ele apresentava um ferimento na cabeça, da testa em direção à nuca. Ela verificou a temperatura corporal e constatou que o filho estava morto. Ela informou ainda que Jeverson andava de um lado a outro, dizendo que ouviu um estouro e teria confessado que o sobrinho estava com sua arma.

A Brigada Militar (BM) foi acionada e chegou no local às 2h30. Conforme Catia, Jeverson teria falado que já estava confirmado o suicídio, e se dispôs a fazer o exame de pólvora nas mãos. Ela desconfiou de diversos pontos na tese de suicídio apresentada pelo irmão, um deles, um bilhete, supostamente escrito por Andrei, em que o filho dizia: “Mãe, eu te amo, me enterre com a camisa do Grêmio”. Segundo ela, a caligrafia estava diferente, a assinatura estava errada, e o bilhete foi encontrado depois do crime.

Na época da denúncia do MP, a Polícia Civil havia informado que não pretendia reabrir o inquérito.



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