PM condenado por estuprar e matar sobrinho no RS é preso no RJ após mais de um mês foragido
Jeverson Olmiro Lopes Goulart foi condenado em outubro a 46 anos de prisão por estuprar, matar e simular o suicídio do sobrinho de 12 anos. Caso ocorreu em 2016 e réu respondeu ao processo em liberdade.
Publicado em 24/12/2025 06h04 - Atualizado há 3 meses - 4 min de leitura
O policial militar da reserva Jeverson Olmiro Lopes Goulart, de 60 anos, foi preso nesta terça-feira (23) em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, pela Polícia Militar do RJ. Ele estava foragido há mais de um mês após ser condenado a 46 anos de prisão por estuprar, matar e simular o suicídio do sobrinho de 12 anos, em Porto Alegre, em 2016.
O réu respondeu ao processo em liberdade e o mandado de prisão foi expedido após a Justiça do Rio Grande do Sul determinar a execução imediata da pena.
Em outubro, Goulart acompanhou o julgamento por videoconferência no apartamento onde mora, no bairro de Copacabana, no RJ. Ele negou todas as acusações.
O Tribunal de Justiça do RS informou que atendeu a um pedido da defesa para que Jeverson participasse da sessão por videoconferência sob a alegação de que seu cliente residia em outro Estado e por temer pela segurança dele.
Jeverson Olmiro Lopes Goulart foi condenado a 46 anos de prisão por estuprar, matar e simular o suicídio do sobrinho de 12 anos. Andrei Ronaldo Goulart Gonçalves, 12 anos, foi morto em 2016, na zona sul de Porto Alegre. O réu foi condenado por homicídio duplamente qualificado, para ocultar outro delito e recurso que dificultou a defesa da vítima, e estupro de vulnerável. A pena deverá ser cumprida em regime fechado.
Relembre o caso
Andrei foi encontrado morto em seu quarto no dia 30 de novembro de 2016, com uma marca de tiro na testa. Na época, o caso foi investigado como possível suicídio e concluído pela Polícia Civil como acidente. O inquérito foi reaberto pelo Ministério Público (MP) após insistência de familiares do adolescente, especialmente a mãe, Catia Goulart, irmã de Jeverson, que desconfiava da condução do inquérito e das provas colhidas na época.
O caso foi reaberto em 2020 após denúncia do Ministério Público por homicídio e estupro de vulnerável. Segundo o MP, o homicídio foi cometido para ocultar o abuso sexual praticado contra o menino.
Em depoimento anterior, Jeverson, disse que seria morador do Rio de Janeiro e estava na casa da irmã há cerca de um mês, em visita à família. Ele alegou que estava dormindo na cama de baixo do beliche quando, por volta das 2h, acordou com o barulho de um disparo de arma de fogo e encontrou a vítima ensanguentada na cama de cima. Ele sustentou que alertou a todos os moradores sobre a presença da arma e a proibição de pegarem.
No dia da morte de Andrei, Catia saiu de casa por volta das 17h30 e o menino disse que esperaria o tio para tomar chimarrão. Às 19h45, Jeverson confirmou que havia chegado. Quando a mãe retornou, às 23h20, notou que o filho não fez as brincadeiras costumeiras. Conforme a declaração, ela foi dormir, e por volta das 2h, foi acordada pelo irmão dizendo que havia acontecido uma tragédia. Ela foi ao quarto e encontrou Andrei deitado, tapado com coberta até o peito, com as mãos juntas, e viu que ele apresentava um ferimento na cabeça, da testa em direção à nuca. Ela verificou a temperatura corporal e constatou que o filho estava morto. Ela informou ainda que Jeverson andava de um lado a outro, dizendo que ouviu um estouro e teria confessado que o sobrinho estava com sua arma.
A Brigada Militar (BM) foi acionada e chegou no local às 2h30. Conforme Catia, Jeverson teria falado que já estava confirmado o suicídio, e se dispôs a fazer o exame de pólvora nas mãos. Ela desconfiou de diversos pontos na tese de suicídio apresentada pelo irmão, um deles, um bilhete, supostamente escrito por Andrei, em que o filho dizia: “Mãe, eu te amo, me enterre com a camisa do Grêmio”. Segundo ela, a caligrafia estava diferente, a assinatura estava errada, e o bilhete foi encontrado depois do crime.
Na época da denúncia do MP, a Polícia Civil havia informado que não pretendia reabrir o inquérito.