A partir deste mês de janeiro, os tradicionais orelhões começam a desaparecer do cenário urbano brasileiro. Símbolos de uma era em que a comunicação dependia de cartões telefônicos e fichas, os telefones públicos estão sendo gradualmente retirados das ruas, acompanhando a queda acentuada de uso diante da popularização dos celulares e da internet móvel.
De acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ainda existem cerca de 38 mil orelhões instalados em vias públicas no Brasil. No entanto, a maioria apresenta baixo ou nenhum uso, o que motivou as operadoras a iniciarem o processo de retirada dos equipamentos, conforme as normas vigentes do setor de telecomunicações.
Em Santa Rosa, RS, a realidade reflete essa mudança tecnológica. Segundo informações da companhia responsável pelo serviço, apenas um orelhão ainda permanece em funcionamento no município, evidenciando o desuso quase total desse meio de comunicação pela população local.
A retirada dos aparelhos é permitida pela regulamentação da Anatel, que autoriza a desinstalação de telefones públicos em locais onde seja comprovada a falta de demanda. A decisão também leva em conta os custos de manutenção e a necessidade de modernização dos serviços de telecomunicações.
Embora cada vez mais raros, os orelhões ainda cumprem papel importante em situações emergenciais e em locais com acesso limitado à telefonia móvel. Por isso, a retirada ocorre de forma gradual, mediante avaliação técnica e autorização do órgão regulador.
Com o avanço da tecnologia e a mudança nos hábitos de comunicação, os orelhões passam a integrar a memória urbana do país, marcando o fim de um serviço que foi essencial por décadas para milhões de brasileiros.