Economia & Negócios

Orçamento de 2027 prevê R$ 2,8 tri em despesas, superávit de R$ 18,6 bi e mínimo de R$ 1.741

Proposta apresentada pelo governo nesta segunda-feira (31), que ainda precisa ser analisada pelo Congresso, estima R$ 2,83 trilhões em despesas primárias e resultado positivo nas contas federais; salário mínimo projetado para 2027 sobe R$ 120 em relação aos atuais R$ 1.621.

Publicado em 01/09/2026 04h00 - Atualizado há 2 dias - 5 min de leitura
Ministro da Fazenda, Dario Durigan, integra a equipe econômica responsável pela proposta de Orçamento de 2027, que prevê R$ 2,83 trilhões em despesas, superávit efetivo de R$ 18,6 bilhões e salário mínimo projetado em R$ 1.741 /Foto: Ricardo Stuckert / PR

O governo federal apresentou nesta segunda-feira (31) a proposta de Orçamento para 2027 com previsão de R$ 2,83 trilhões em despesas primárias, superávit efetivo de R$ 18,6 bilhões e salário mínimo projetado em R$ 1.741. O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) estabelece as estimativas de receitas e despesas da União para o próximo ano e ainda precisa ser analisado pelo Congresso Nacional.

A peça prevê R$ 3,459 trilhões em receitas e um resultado primário positivo mesmo quando são consideradas despesas que podem ser excluídas do cálculo oficial da meta fiscal.

​ Despesas chegam a R$ 2,83 trilhões

A proposta prevê R$ 2,83 trilhões em despesas primárias em 2027. Esse grupo reúne os gastos do governo antes do pagamento dos juros da dívida pública e inclui despesas como Previdência, salários do funcionalismo, benefícios sociais, saúde, educação e investimentos.

As receitas previstas no projeto chegam a R$ 3,459 trilhões.

Parte significativa das despesas federais é obrigatória. Entre os principais compromissos estão os benefícios previdenciários, além de programas sociais e outras despesas vinculadas por legislação.

​ Superávit efetivo é estimado em R$ 18,6 bilhões

O governo projeta encerrar 2027 com superávit primário efetivo de R$ 18,6 bilhões. O resultado primário representa a diferença entre receitas e despesas do governo antes do pagamento dos juros da dívida. Um superávit ocorre quando as receitas superam as despesas consideradas nesse cálculo.

O valor de R$ 18,6 bilhões inclui todas as despesas, inclusive aquelas que a legislação permite retirar da contabilização utilizada para verificar o cumprimento da meta fiscal.

A distinção é importante porque a meta oficial para 2027 é significativamente maior.

​ Meta fiscal é de R$ 73,2 bilhões

Para 2027, o governo estabeleceu como centro da meta um superávit equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), estimado em R$ 73,2 bilhões.

Na contabilidade utilizada para verificar formalmente o cumprimento dessa meta, a proposta projeta resultado positivo de R$ 83,4 bilhões. Entretanto, a legislação permite desconsiderar R$ 64,7 bilhões em determinadas despesas. Quando esses gastos são reincorporados às contas, o superávit efetivo projetado cai para os R$ 18,6 bilhões apresentados pelo governo.

Entre as despesas que podem receber tratamento diferenciado estão parcelas de precatórios e outros gastos autorizados por regras fiscais específicas.

​ Meta tem margem de tolerância

A meta de 0,5% do PIB também possui uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos. Isso significa que o intervalo formal considerado para cumprimento da meta vai de aproximadamente R$ 36,6 bilhões a R$ 109,8 bilhões de superávit.

Durante a execução do Orçamento, entretanto, exclusões previstas em lei e a própria margem fiscal podem produzir um resultado efetivo diferente daquele considerado oficialmente para avaliar o cumprimento da meta.

​ Salário mínimo é projetado em R$ 1.741

Outra informação de impacto direto para milhões de brasileiros é a nova previsão para o salário mínimo. O PLOA trabalha com um piso de R$ 1.741 em 2027, R$ 120 acima dos R$ 1.621 vigentes em 2026.

A diferença representa reajuste nominal de aproximadamente 7,4%. Considerada a inflação projetada, o ganho real estimado fica em torno de 2,4%.

A projeção atual também ficou R$ 24 acima dos R$ 1.717 considerados anteriormente pelo governo no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias apresentado em abril.

​ Valor do mínimo ainda pode mudar

Os R$ 1.741 ainda não representam o valor definitivo do salário mínimo de 2027. O cálculo final dependerá do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses até novembro de 2026, utilizado para corrigir o piso.

Pela regra vigente, o reajuste combina a inflação medida pelo INPC com ganho real limitado pelas regras fiscais. Por isso, uma inflação diferente daquela atualmente estimada poderá alterar o valor que efetivamente entrará em vigor em janeiro.

​ Aumento do mínimo pressiona despesas obrigatórias

O reajuste do salário mínimo não afeta apenas trabalhadores que recebem o piso.

O valor também serve de referência para uma série de pagamentos públicos, incluindo:

  • aposentadorias e pensões do INSS vinculadas ao mínimo;
  • Benefício de Prestação Continuada (BPC);
  • parcela mínima do seguro-desemprego;
  • abono salarial;
  • contribuições previdenciárias calculadas a partir do piso.

Por isso, qualquer mudança na projeção do salário mínimo também altera a estimativa de despesas obrigatórias do governo.

Segundo cálculos apresentados antes da entrega do PLOA, cada R$ 1 acrescentado ao piso pode gerar cerca de R$ 413 milhões adicionais em despesas federais. A revisão da estimativa do mínimo para R$ 1.741 acrescentou aproximadamente R$ 9,9 bilhões à previsão de gastos de 2027.

​ Governo aposta em contenção de despesas

Para controlar o avanço dos gastos, a proposta incorpora medidas aprovadas nos últimos anos destinadas principalmente às despesas obrigatórias. Entre elas estão regras que limitam o crescimento de determinadas despesas vinculadas ao ritmo permitido pelo arcabouço fiscal e mudanças na forma de cálculo da Receita Corrente Líquida.

Uma das medidas restringe a expansão de gastos vinculados a determinadas receitas ao limite de crescimento real permitido pelas regras fiscais. Outra exclui receitas obtidas com a venda de petróleo e gás da União do cálculo da Receita Corrente Líquida, indicador utilizado como referência para algumas despesas obrigatórias, incluindo parcelas dos gastos com saúde.

Segundo estimativas da equipe econômica, essas alterações devem reduzir em bilhões de reais a pressão sobre o Orçamento em 2027.

​ Proposta ainda será analisada pelo Congresso

O PLOA representa a proposta inicial do Executivo para receitas, despesas e prioridades federais de 2027.

O texto segue agora para análise do Congresso Nacional, onde deputados e senadores poderão apresentar emendas e modificar a distribuição dos recursos antes da aprovação definitiva. Também poderão ocorrer mudanças nas projeções econômicas ao longo dos próximos meses, especialmente nas estimativas de inflação, arrecadação e salário mínimo.

Se o superávit efetivo de R$ 18,6 bilhões for confirmado durante a execução do Orçamento, o governo encerrará 2027 com receitas primárias superiores às despesas primárias mesmo considerando gastos retirados do cálculo formal da meta.



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