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Brasil pode enfrentar ao menos seis ondas de calor até dezembro sob influência do El Niño

Análise do Cemaden projeta ao menos seis episódios entre setembro e dezembro, com possibilidade de número maior caso o El Niño alcance intensidade excepcional; temperaturas podem ficar até 3°C acima da média em algumas áreas, enquanto 35% do território nacional já apresenta risco alto de incêndios.

Publicado em 01/09/2026 07h00 - Atualizado há 2 dias - 3 min de leitura
Projeção para setembro indica temperaturas acima da média em grande parte do Brasil, com diferenças que podem chegar a 3°C em algumas áreas /Foto: Severe Weather Europe

O Brasil deve enfrentar ao menos seis ondas de calor entre setembro e dezembro deste ano, segundo análise do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O número poderá ser maior se o El Niño atingir intensidade excepcional nos próximos meses.

A estimativa foi calculada a partir de 47 anos de registros de temperatura e do comportamento observado em períodos anteriores sob influência do fenômeno. No último El Niño, entre agosto e dezembro de 2023, o país registrou nove ondas de calor, maior quantidade da série histórica iniciada em 1979.

🌡️ O que caracteriza uma onda de calor

Uma onda de calor não corresponde apenas a um dia com temperatura elevada. O fenômeno ocorre quando as temperaturas máximas e mínimas permanecem excepcionalmente acima dos padrões da região durante pelo menos três dias consecutivos.

Isso significa que o calor persiste também durante a noite, reduzindo o período de recuperação do organismo e aumentando os riscos à saúde, especialmente para idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.

🗺️ Calor passou a atingir áreas maiores

A análise do Cemaden mostra que as ondas de calor se tornaram mais frequentes e extensas nas últimas décadas.

Nos anos 1980 e 1990, os episódios eram mais raros e concentrados em determinadas regiões. A partir de 2010, especialmente depois de 2020, passaram a alcançar áreas maiores e, em alguns casos, diferentes partes do país simultaneamente.

Para setembro, as projeções indicam temperaturas acima da média em grande parte do Brasil. Em algumas áreas, a diferença poderá chegar a 3°C.

🌊 El Niño pode intensificar os eventos

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e altera a circulação atmosférica em diferentes regiões do planeta.

No Brasil, o fenômeno costuma favorecer temperaturas elevadas, redução das chuvas em partes do Norte e do Nordeste e aumento da precipitação no Sul. Os primeiros efeitos mais evidentes devem ser percebidos a partir de setembro.

Ainda não é possível determinar quando ocorrerá a primeira onda de calor nem confirmar quantos episódios serão registrados. A possibilidade de um “Super El Niño” dependerá da intensidade alcançada pelo aquecimento do oceano nos próximos meses.

🔥 Calor agrava seca e risco de incêndios

Temperaturas elevadas aceleram a perda de umidade do solo e da vegetação, agravando períodos de estiagem e criando condições favoráveis à propagação do fogo.

Dados do Índice Integrado de Seca apontam 157 municípios em situação de seca severa, principalmente no Norte e no Nordeste. Tocantins concentra 50 dessas cidades, enquanto a Bahia tem 18.

Outro levantamento, produzido por órgãos de meteorologia e monitoramento climático, aponta risco alto de incêndios em 560 municípios. As áreas somam mais de 3 milhões de quilômetros quadrados, equivalentes a cerca de 35% do território brasileiro.

A maior preocupação se concentra na faixa entre a Amazônia e o Pantanal. Para reforçar o combate aos incêndios durante o El Niño, o governo federal mobilizou mais de 4,6 mil brigadistas.

💧 Efeitos podem variar entre as regiões

O cenário não será igual em todo o território nacional. Enquanto o Norte e o Nordeste podem enfrentar redução das chuvas e agravamento da seca, o Sul tende a registrar precipitações mais frequentes e volumosas.

Apesar dessas diferenças, a expectativa é de temperaturas elevadas em todas as regiões. A combinação entre El Niño e o aquecimento global aumenta a possibilidade de episódios mais intensos, duradouros e abrangentes.



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