O comércio varejista do Rio Grande do Sul fechou aproximadamente 5,3 mil postos de trabalho com carteira assinada no primeiro semestre de 2026. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Entre janeiro e junho, o setor registrou cerca de 159,2 mil contratações e aproximadamente 164,5 mil desligamentos, resultando em saldo negativo de empregos formais.
O segmento de vestuário e acessórios apresentou a maior redução, com o fechamento de aproximadamente 2,2 mil postos de trabalho. Na sequência aparecem os setores de móveis, colchões e artigos de iluminação, com saldo negativo de 520 vagas, e o comércio de calçados, com redução de 463 postos.
Por outro lado, alguns segmentos encerraram o período com saldo positivo. Os postos de combustíveis criaram 951 vagas, enquanto os supermercados registraram aumento de 576 empregos formais.
Cenário nacional e fatores econômicos
O resultado registrado no Rio Grande do Sul acompanha dados negativos observados em outros estados. No primeiro semestre, São Paulo registrou o fechamento de 16,5 mil vagas no varejo, seguido pelo Rio de Janeiro, com redução de 9,2 mil postos, e Minas Gerais, com saldo negativo de 5,5 mil empregos.
Entre os fatores apontados para o desempenho do setor estão o endividamento das famílias, as taxas de juros, a redução da capacidade de consumo e mudanças nos hábitos dos consumidores.
No Rio Grande do Sul, o endividamento relacionado ao setor rural também é citado como um fator que afeta especialmente o comércio nos municípios do Interior.
Segundo a Federação Varejista do Rio Grande do Sul, o número de consumidores inadimplentes no Estado aumentou 1,42% no acumulado do primeiro semestre. No mesmo período, o valor médio das dívidas passou de R$ 5.264,13 em janeiro para R$ 5.596,36 em junho.
Para o segundo semestre, a entidade projeta estabilidade no setor. Mesmo com períodos tradicionalmente associados ao aumento das vendas, como Black Friday e Natal, a expectativa é de que o comércio não registre crescimento real em 2026 e encerre o ano com desempenho próximo à inflação.